A morte de Ofélia Falenas · Capítulo 24 de 28
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A morte de Ofélia

A morte de Ofélia

( PARÁFRASE)

Junto ao plácido rio

Que entre margens de relva e fina areia

Murmura e serpenteia,

O tronco melancólico e sombrio

De um salgueiro. Uma fresca e branda aragem

Ali suspira e canta,

Abraçando-se à tr6emula folhagem

Que se espelha na onda voluptuosa.

Ali a desditosa,

A triste Ofélia foi sentar-se um dia.

Enchiam-lhe o regaço umas capelas

Por suas mãos tecidas

De várias flores belas,

Pálidas margaridas,

E rainúnculos, e essas outras flores

A que dá feio nome o povo rude,

E a casta juventude

Chama – dedos da morte – O olhar celeste

Alevantando aos ramos do salgueiro,

Quis ali pendurar a of’renda* agreste.

Num galho traiçoeiro

Firmara os lindos pés, e já seu braço,

Os ramos alcançando,

Ia depor a of’renda peregrina

De suas flores, quando

Rompendo o apoio escasso,

A pálida menina

Nas águas resvalou; foram com ela

Os seus—dedos da morte – e as margaridas,

As vestes estendidas

Algum tempo a tiveram sobre as águas,

Como sereia bela,

Que abraça ternamente a onda amiga.

Então, abrindo a voz harmoniosa,

Não por chorar as suas fundas mágoas,

Mas por soltar a nota deliciosa

De uma canção antiga,

A pobre naufragada

De alegres sons enchia os ares tristes,

Como se ali não visse a sepultura,

Ou fosse ali criada

Mas de súbito as roupas embebidas

Da linfa calma e pura

Levam-lhe o corpo ao fundo da corrente,

Cortando –lhe no lábio a voz e o canto.

As águas homicidas,

Como a lage de um túmulo recente,

Fecharam-se, e sobre elas,

Triste emblema de dor e de saudade,

Foram nadando as últimas capelas.

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