José Bonifácio Americanas · Capítulo 5 de 14
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José Bonifácio

JOSÉ BONIFACIO

De tantos olhos que o brilhante lume

Viram do sol amortecer no occaso,

Quantos verão nas orlas do horisonte

Resplandecer a aurora?

Innumeras, no mar da eternidade,

As gerações humanas vão cahindo;

Sôbre ellas vae lançando o esquecimento

A pesada mortalha.

Da agitação esteril em que as tôrças

Consumiram da vida, raro apenas

Um echo chega aos seculos remotos,

E o mesmo tempo o apaga.

Vivos transmitte a popular memoria

O genio creador e a sã virtude,

Os que o patrio torrão honrar souberam,

E honrar a especie humana.

Vivo irás tu, egregio e nobre Andrada!

Tu, cujo nome, entre os que á patria deram

O baptismo da amada independencia,

Perpetuamente fulge.

O engenho, as fôrças, o saber, a vida,

Tudo votaste á liberdade nossa,

Que a teus olhos nasceu, e que teus olhos

Inconcussa deixaram.

Nunca interesse vil manchou teu nome,

Nem abjectas paixões; teu peito illustre

Na viva chamma ardeu que os homens leva

Ao sacrifício honrado.

Se teus restos ha muito que repousam

No po commum das gerações extinctas,

A patria livre que legaste aos netos,

E te venera e ama,

Nem a face mortal consente á morte

Que te roube, e no bronze redivivo

O austero vulto restitue aos olhos

Das vindouras edades.

«Vede (lhes diz) o cidadão que teve

Larga parte no largo monumento

Da liberdade, a cujo seio os povos

Do Brasil se acolheram.

«Póde o tempo varrer, um dia, ao longe,

A fabrica robusta; mas os nomes

Dos que o fundaram viverão eternos,

E viverás, Andrada!»

Compuz estes versos por occasiào de ser inaugurada a es-

tatua do patriarcha da Independencia, em 7 de Setembro de

1873.

Pediu-m os o Sr.Commendador J. Norberto de S. S., illustrado

vice-presidente do Instituto Historico e membro da commissão

qua promovera aquelle monumento. Não podia haver mais agradavel

tarefa do que esta de prestar homenagem ao honrado

cidadão, cuja nome a historia conserva ligado ao do Fundador

do Império.

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