Mater Eu · Capítulo 23 de 56
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Mater

Como a chrysalida emergindo do ovo

Para que o campo flórido a concentre,

Assim, oh! Mãe, sujo de sangue, um novo

Ser, entre dôres, te emergiu do ventre!

E puzeste-lhe, haurindo amplo deleite,

No labio roseo a grande têta farta

— Fecunda fonte desse mesmo leite

Que amamentou os éphebos de Sparta. —

Com que avidez elle essa fonte suga!

Ninguem mais com a Belleza está de accordo,

Do que essa pequenina sanguesuga,

Bebendo a vida no teu seio gordo!

Pois, quanto a mim, sem pretenções, comparo,

Essas humanas cousas pequeninas

A um biscuit de quilate muito raro

Exposto ahi, á amostra, nas vitrinas.

Mas o ramo fragilimo e venusto

Que hoje nas debeis gemmulas se esboça,

Ha de crescer, ha de tornar-se arbusto

E álamo altivo de ramagem grossa.

Clara, a atmosphera se encherá de aromas,

O Sol virá das epochas sadias.

E o antigo leão, que te esgotou as pomas,

Ha de beijar-te as mãos todos os dias!

Quando chegar depois tua velhice

Batida pelos barbaros invernos,

Relembrarás chorando o que eu te disse,

Á sombra dos sycomoros eternos!

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