Capítulo CXCV Quincas Borba · Capítulo 195 de 201
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Capítulo CXCV

Rubião, logo que chegou a Barbacena e começou a subir a rua que ora se chama de Tiradentes, exclamou parando:

—Ao vencedor, as batatas!

Tinha-as esquecido de todo, a formula e a allegoria. De repente, como se as syllabas houvessem ficado no ar, intactas, aguardando alguem que as podesse entender, uniu-as, recompoz a formula, e proferiu-a com a mesma emphasis daquelle dia em que a tomou por lei da vida e da verdade. Não se lembrava inteiramente da allegoria; mas, a palavra deu-lhe o sentido vago da luta e da victoria.

Subiu, acompanhado do cão, e foi parar defronte da egreja. Ninguem lhe abriu a porta; não viu sombra de sacristão. Quincas Borba, que não comia desde muitas horas, collava-se-lhe ás pernas, cabisbaixo, esperando. Rubião voltou-se, e do alto da rua estendeu os olhos abaixo e ao longe. Era ella, era Barbacena; a velha cidade natal ia-se-lhe desentranhando das profundas camadas da memoria. Era ella; aqui estava a egreja, alli a cadeia, acolá a pharmacia, donde vinham os medicamentos para o outro Quincas Borba. Sabia que era ella, quando chegou; mas, á medida que os olhos se derramavam, as reminiscencias vinham vindo, escassas, mais numerosas, em bando. Não via ninguem; uma janella, a esquerda, parecia ter alguem que espiava. Tudo o mais deserto.

—Talvez não saibam que cheguei, pensou Rubião.

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