Capítulo CXLIX Quincas Borba · Capítulo 149 de 201
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Capítulo CXLIX

—Que mudança é essa? perguntou Sophia, quando elle lhe appareceu no fim da semana.

—Vim saber do seu joelho; está bom?

—Obrigada.

Eram duas horas da tarde. Sophia acabava de vestir-se para sair, quando a criada lhe fora dizer que estava alli Rubião,—tão mudado de cara que parecia outro. Desceu a vel-o curiosa; achara-o na sala, de pé, lendo os cartões de visita.

—Mas que mudança é essa? repetiu ella. Rubião, sem nenhuma ideia imperial, respondeu que suppunha ficarem-lhe melhor os bigodes e a pera.

—Ou estou mais feio? concluiu.

—Está melhor, muito melhor.

E Sophia disse comsigo que talvez fosse ella a causa da mudança. Sentou-se no sophá, e começou a enfiar os dedos nas luvas.

—Vae sahir?

—Vou, mas o carro ainda não veiu.

Cahiu-lhe uma das luvas. Rubião inclinou-se para apanhal-a, ella fez a mesma cousa, ambos pegaram na luva, e teimando em levantal-a, succedeu que as caras encontraram-se no ar, e bateram uma na outra. Pangloss, se tem assistido ao episodio, emendaria a sua theoria dos narizes, que, segundo elle, foram feitos para uso dos oculos, quando a verdade é que foram destinados a impedir o encontro casual e involuntario das bocas de um e de outro sexo. Assim succedeu aqui. O nariz della bateu no delle, e as boccas ficaram intactas para rir, como riram.

—Machuquei-a?

—Não! eu é que lhe pergunto...

E riram outra vez. Sophia calçou a luva, Rubião fitou-lhe um pé que se mexia disfarçadamente, até que o criado veiu dizer que a carruagem chegára. Ergueram-se, e ainda uma vez riram.

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