SEM POEIRA A consagração do silêncio · Capítulo 30 de 51
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SEM POEIRA

SEM POEIRA

não nasci para caber

na palma de tua mão

mas coube, macia e intrusa

fui ficando ali, quieta

esperando o toque, o afago

ou até o descuido

paralisei feito ornamento

fora de qualquer vista,

que procuras quando o silêncio te insulta

ou quando a solidão ameaça tuas costelas

deitei-me inteira no teu colo

esperei que me vivesse com cuidado

e acabei caindo no canto da tua estante

ao lado de medalhas por outras vitórias

sou breve,

se compreendesse,

me doava sem poeira

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